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Desisti

Um homem não está acabado quando enfrenta a derrota. Ele está acabado quando desiste.”
Richard Nixon

Muitas das falhas da vida acontecem quando as pessoas não percebem o quão perto estão quando desistem.”
Thomas Edison

Conserve os olhos fixos num ideal sublime, e lute sempre pelo que deseja, pois só os fracos desistem e só quem luta é digno de vida.”
Desconhecido

Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois para mim, vencer é nunca desistir.”
Albert Einstein

"A desistência é uma revelação."
Lispector , Clarice


Quem é o dono da razão?
Ousarás me julgar
Só por parecer que fiquei em vão?

Agarrar esta coragem,
De não ser quem quero ser,
Adiantará seguir viagem,
Se no inicio enlouquecer?

Um passo atrás,
E estou mais perto de mim.
Só por desistir,
Não quer dizer que seja o fim.


Dificil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama.
Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.”
Bob Marley

Desisti de ser feliz. Agora me sinto muito menos infeliz.”
Micítaus do ISSÁS

Melancolia positiva

Tudo para uma perfeita manhã de melancolia positiva. A chuva desce pelas paredes da avenida e tudo se torna cinza. Os vapores condensam-se, no ar, nas superfícies, nos cheiros. Deve existir um blue qualquer que descreva esta sensação, maravilhosa.
- CHUVA! CHUVA! O BARULHO AGUADO DO MOVIMENTO DOS CARROS! - penso eu…

Há um ritmo de cowboy em tudo isto!

Tanta gente a passar. Têm cara de quem não pensa em nada. Isso significa que pensarão certamente - que se fodam os outros - seguem caminho… sempre seguindo caminho... sem nada na mente.
Fumo um cigarro. Alguém chora atrás de mim. E eu penso numa rima.

Faz frio. O mundo é duro.

Abraça-me neste calor seguro.

Nas ruínas de Babel



sinto os trovões ao longe...
ouço a chuva a cair...
há um vento forte
que me ínsita a seguir...
naquele espaço vazio...
onde não sei existir...

Não é assim tão mau não saber quem sou.

ouço os sinos ao longe...
da tempestade a surgir...
o rufar forte
do meu medo, a cair!...

Não me importa mais não saber quem sou!
Ergo-me na alegria de ver Babel ruir!...

percorre um lufar suave...
pelos destroços do tempo,
pelas ruínas da torre,
se ergue o silêncio do Ego!...

ecoa!... no meu peito!...
a certeza de mim!...
passado!... futuro!...
não pertencem aqui!...

Não me importa mais não saber quem sou!
Ergo-me na alegria de ver Babel ruir!...


Nem a ilusão escapa da ilusão.
É nesta trama, neste paradoxo, nesta antítese, que desliza e flui a realidade.
Tenho a estranha intuição de que tudo se move num estranho “real-ficção”.

Vivo



Enquanto percorro a cidade
Corre o tempo que passa
Passa esta desgraça
De não saber onde estou
Onde vou?...
Onde vou?...

Mas que importa agora
Que o céu seja azul
A cair p’ró laranja
E a noite a chegar
Cheia de estrelas no céu
Quem sou eu ?...
Quem sou eu?...

O que é que isso importa agora?
Basta-me sentir aqui.
E o infinito?...
Será ele assim?

O que é que isso importa agora?
Que o céu não fique quieto
Se eu aquieto por dentro
E tudo fica mais belo

Sem o Medo,
É mais fácil,
Aceitar-me como não sou.
Sem o Medo,
É mais fácil,
Aceitares-te como não és.

Mesmo que o tempo mude
E não mudemos por dentro
Ainda temos o instante
Deste exato momento

E tudo perde valor
E ganha valor de volta
E a vida ri-se de tudo
Quer esteja boa ou torta

Mas o que é que isso importa?
Eu estou aqui
Tu ai estás
Sente, mesmo, que existes
Não somos mera ilusão
A existência é real
E tudo o resto é banal

A liberdade está aqui,
Se este medo sair.
A felicidade está aqui,
Sinto, o medo, a fugir…

Dia do Livro


Hoje, sendo dia do livro, nada melhor para o comemorar do que ler durante o dia todo.

Emergir na mística global do livro. Apreciar o cheiro das suas folhas (velhas ou novas, amarelas ou brancas); apreciar o cheiro da sua tinta, o relevo da sua capa, as marcas singulares da sua impressão, os seus traços de idade (que nos fazem imaginar as eras por que passou), ou a imaculada limpeza (característica da sua antestreia). E, depois de me imbuir de tal mística, depois de me influir nela e me cobrir no seu suave manto, submergir da realidade pura para a realidade ficcional.

Assim é ler, um bom livro. Para quem gosta de viajar e tem pouco dinheiro, aconselho. Mesmo assim, ainda sou apologista de que nada se supera em experiência à viagem real. Apesar disso, ler ainda é capaz de nos transportar por mundos inimagináveis, viver situações, seres, locais, que jamais poderíamos experimentar na realidade, ou ousar experimentar.

Um desses mundos, e sem dúvida uma das melhores histórias lidas por mim, é um livro escrito por George Orwell, intitulado “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”.

Claro que simpatizei com ele por representar o ano do meu nascimento e por ser de Ficção Cientifica. Mesmo assim, o que mais me fez adorar este livro foi o facto de despertar em mim algo que nenhum outro livro me levou a experimentar. Reparem, quando termino de ler um livro, normalmente, ou sinto nostalgia, ou preenchimento, ou insatisfação (perante um mau final). Neste caso, foi uma junção de nostalgia com desespero. No fim apenas pensava - “que final dramático, desesperante, espetacular! Não há escapatória possível!”. Leiam o livro e verão do que estou a falar.

O que mais adoro nos livros de Ficção Cientifica é a sua capacidade de indagação profunda dos problemas do Ser Humano, sendo por isso cronologicamente transversais e actuais a qualquer época. “1984” é um livro escrito em 1948, que se debate com questões sociais actuais - a diminuição da privacidade devido às tecnologias e a consequente eliminação da liberdade, aproveitada e perpetuada pelo governo. A sociedade distópica, criada por George Orwell, é a encarnação máxima da conspiração e da não liberdade.

Apesar do enredo da história decorrer num regime totalitário, poderia muito bem decorrer em administração democrática. Equacionando este pensamento ao brilhante trama da história nasce uma maravilhosa sensação de desespero ao ler o final. Uma sensação inevitável, pois esse mesmo é o objectivo do autor. Fazer-nos sentir assim.

Só posso exclamar “fenomenal”! Assim se fazem e se lêem bons livros!

Esta é a minha forma de saudar o dia do livro, aconselhando-os um bom livro. Outro a não perder será “O Triunfo dos Porcos”, do mesmo autor. É uma fábula simplesmente hilariante.

Boas leituras, e feliz dia do livro.

Mesmo que

Mesmo que,
não sejas uma simples voz, visão, luz,
respondas aos meus rogos,
te faças carne e corpo, à minha frente, concreto e material, existência imortal, de amor em chagas,
toque nessas feridas abertas,
olhe nesses olhos ternos,
te sinta real e eterno,
me invada o carinho que por ti penso,
                                   da razão serei sempre servo.

Se existires não me apareças,
não creio em mim.
E se apareceres saberei que não és.
Porque tudo o que se descobre,
só é sempre uma vaga existência de algo mais,
                                  como a realidade transformada em sonho...